A conclusão consta do Relatório sobre o Estado da Desinformação no Espaço Digital em Moçambique 2025, publicado esta terça-feira pelo MISA Moçambique.
O documento revela que o país registou 81 casos de desinformação ao longo de 2025, contra 28 identificados em 2024, confirmando uma tendência de crescimento do fenómeno.
Durante o evento de lançamento do relatório, que reuniu investigadores, especialistas, reguladores do sector digital e parceiros de cooperação, foi manifestada preocupação com o crescimento de páginas anónimas, perfis pseudojornalísticos e conteúdos que imitam órgãos de comunicação social para conferir credibilidade a informações falsas.
Na ocasião, o Presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, destacou que “a expansão do acesso à Internet e às redes sociais, associada aos baixos níveis de literacia mediática e digital, tem aumentado a vulnerabilidade do espaço público à circulação de conteúdos falsos e manipulados.”
Por sua vez, o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Lourino Chemane, anunciou que Moçambique poderá contar, em breve, com novos instrumentos normativos que deverão incorporar medidas de prevenção do uso malicioso da inteligência artificial e reforçar a confiança no ambiente digital.
Já o Embaixador da Noruega em Moçambique, Egil Torsås, reafirmou o compromisso do seu país com a promoção da liberdade de imprensa e da democracia.
O evento destacou igualmente que a desinformação deve ser compreendida como parte de um ecossistema complexo, com capacidade para influenciar processos eleitorais, políticas públicas e o debate democrático.
Neste contexto, foi sublinhada a necessidade de respostas multissetoriais que envolvam governos, jornalistas, investigadores, plataformas digitais e organizações da sociedade civil, com vista a fortalecer a integridade do espaço informacional e combater a disseminação de conteúdos falsos.

