Parceiros da primeira edição Fórum de Media enaltecem a iniciativa

O MISA Moçambique encerrou, na passada quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025, em Maputo, a primeira edição do Fórum de Media, reafirmando seu compromisso com a promoção da sustentabilidade na comunicação social. Este evento inaugural foi marcado por um ciclo de debates sobre a sustentabilidade dos media e reuniu diversos actores da comunicação social, como jornalistas, activistas, estudantes, pesquisadores, membros do governo, entre outros. Durante a cerimónia de encerramento, que contou com a premiação de jornalistas em várias categorias, o presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, congratulou os premiados, destacando a importância do jornalismo, especialmente no contexto actual de disseminação de fake news, em que o conceito de “jornalista cidadão” se torna cada vez mais actuante. Na ocasião, o Embaixador da Noruega em Moçambique, Haakon Gram-Johannessen, afirmou que a parceria com o MISA para a realização do fórum visa aprofundar o debate sobre os desafios enfrentados pela sociedade. “Vivemos tempos difíceis e desafiadores, com ameaças crescentes como a radicalização, as mudanças climáticas, democracias imperfeitas e a violência extrema. Moçambique também enfrenta essas ameaças. Através de uma imprensa livre e actuante, esses temas podem ser debatidos publicamente. Seria difícil imaginar o mundo ou Moçambique alheios a esses factores, por isso destacamos o papel essencial do jornalismo, especialmente o jornalismo investigativo, que actua contra a corrente num cenário de pressão intensa dentro e fora das redações”, destacou. Por sua vez, o Primeiro Conselheiro da Embaixada da França em Moçambique e ESwatini, Franck Haaser, também parceiro do fórum, enalteceu o papel da media como fundamentais para a construção de sociedades democráticas e para a promoção dos direitos humanos. “A França tem o prazer de participar do primeiro Fórum de Media e Cidadania, promovido pelo MISA. Assim como em muitos países, defendemos uma informação livre, plural e independente. Não pode haver democracia sem liberdade de imprensa, e reconhecemos o papel da media na promoção dos direitos humanos dos povos”, afirmou. Vale ressaltar que esta primeira edição contou com o apoio da Embaixada da Noruega, da Embaixada da França, da Hidroelétrica de Cahora Bassa, do MídiaLab, da Universidade Eduardo Mondlane e do Centro de Desenvolvimento para a Democracia e Direitos Humanos.
Prémio de Jornalismo MISA Moçambique – MISA Moçambique e parceiros premeiam excelência em Jornalismo

Foram conhecidos, esta quinta-feira, 13 de fevereiro, em Maputo, os grandes vencedores do Prémio de Jornalismo MISA Moçambique, um concurso realizado no âmbito da primeira edição do Fórum de Media. A gala de premiação, organizada pelo MISA Moçambique e seus parceiros, teve como objectivo reforçar o papel essencial da comunicação social no fortalecimento da democracia e na defesa dos direitos fundamentais no país. Na categoria de Jornalismo Investigativo – “Liberdade de Imprensa”, o grande prémio foi atribuído aos jornalistas Argunaldo Nhampossa e Raul Senda, do semanário Savana, pela reportagem que denuncia a crise no sector das pescas em Moçambique, expondo um esquema de influência política, exploração ilegal e consequências socioeconómicas devastadoras; na categoria de Jornalismo e Direitos Humanos, a distinção foi para Julieta Zucula, da STV, pela reportagem que revela o drama das famílias moçambicanas que vivem em condições de extrema pobreza e não recebem o subsídio de assistência social; já para o prémio Jornalismo Económico e Negócios, o vencedor foi Daniel Lucas, da MIRAMAR, com uma reportagem que analisa os efeitos da subida sistemática dos preços dos combustíveis sobre a economia moçambicana ao longo dos últimos 10 anos; e por fim, Jornalismo Ambiental e Diversidade, destinado ao jornalista Pilatos Munguambe, da Sociedade de Notícias, laureado pela reportagem que aborda os avanços e desafios da conservação da tartaruga marinha em Moçambique. A cerimónia foi também palco da entrega dos prémios das reportagens vencedoras do concurso lançado pelo Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD) em parceria com o MISA Moçambique, sobre Justiça Fiscal e Fluxos Financeiros Ilícitos e Transição Energética. Na primeira categoria, foram premiados Caetano Alberto, da Rádio Moçambique, e António Ndzimba, do jornal Géneros. Entretanto, na categoria sobre Transição Energética, o júri não conseguiu encontrar nenhum trabalho que atendesse aos critérios exigidos. No seu discurso de ocasião, o presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, explicou que a agremiação instituiu o Fórum de Media como uma forma de engajar os diversos actores do sector da comunicação social na promoção de respostas contínuas aos desafios da sustentabilidade e desenvolvimento dos media. Segundo Langa, os prémios de jornalismo visam reconhecer o trabalho dos profissionais que promovem a governação transparente, a integridade, a liberdade de imprensa e a defesa dos direitos humanos. “Gostaria de expressar o nosso profundo reconhecimento aos jornalistas que participaram deste concurso. O vosso trabalho representa a resiliência e o compromisso com a profissão, mesmo diante dos desafios impostos pelo contexto actual”, afirmou Langa, destacando a importância do jornalismo para a construção de uma sociedade mais informada, crítica e participativa. O presidente do júri, Fernando Gonçalves, apresentou as principais categorias dos prémios de jornalismo e explicou que critérios como originalidade, relevância do tema, impacto nas liberdades de imprensa, actualidade, proatividade do autor e diversidade das fontes foram determinantes para a classificação e escolha das matérias vencedoras. Importa destacar que esta cerimónia “foi o cair do pano” da primeira edição do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, um evento que trouxe um ciclo de reflexões sobre a “Sustentabilidade dos Media no Contexto da Digitalização”, realizado em dezembro de 2024. O Fórum Anual de Media e Cidadania é uma iniciativa do MISA Moçambique e contou com o apoio da Embaixada da Noruega, Embaixada da França em Moçambique e Eswatini, Hidroelétrica de Cahora Bassa, Universidade Eduardo Mondlane, Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD) e Associação Mídia Lab, entidades que contribuíram significativamente para tornar o evento possível.
Digitalização é uma oportunidade para o jornalismo

O terceiro dia do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, promovido pelo MISA-Moçambique, esteve dedicado a um tema crucial para o jornalismo. Na sessão desta quarta-feira, 4 de Dezembro, a classe discutiu as ameaças, os riscos e oportunidades à volta da produção de conteúdos no espaço digital. Uma das conclusões do debate foi de que, apesar das ameaças e riscos que apresenta, a digitalização também oferece oportunidades ao sector, cabendo aos jornalistas saberem tirar partido. O especialista em Liberdade de Expressão no Ambiente Digital na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Lucas Ferreira, destacou como os avanços tecnológicos trazem ameaças como a desinformação e o discurso de odio. Ferreira, que participou do evento virtual a partir do Brasil, indicou como até a liberdade de expressão, garantida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, está sob ameaça no ecossistema digital, devido à desinformação, discurso de ódio e teorias da conspiração. Para a fonte, um dos caminhos para enfrentar esses desafios está nas directrizes da UNESCO para a governação das plataformas digitais, que busca promover a liberdade de expressão, moderar conteúdos de forma ética e proteger os direitos humanos, no ambiente virtual. Na sua alocução, Lucas Ferreira reforçou a importância do jornalismo responsável, recomendando, aos profissionais da área, a duvidarem e questionarem as informações que aparecem no ambiente digital, como método de trabalho jornalístico. Por sua vez, a jornalista e activista social, Sheila Wilson, do Centro para Democracia e Direitos Humanos, também destacou os benefícios e os perigos da produção de conteúdos digitais, no país. Para a jornalista, a digitalização tem o potencial de fortalecer a cidadania, defender os direitos humanos e promover o desenvolvimento económico e social. “A produção de conteúdos digitais tornou-se uma ferramenta essencial para o fortalecimento da cidadania, mas a crescente digitalização também compromete a segurança, a liberdade de expressão e a privacidade dos indivíduos”, referiu. A jornalista destacou ameaças como censura, vigilância digital, ataques cibernéticos e o uso indevido de dados pessoais. Além disso, mencionou os riscos associados à produção digital, como a dependência de conectividade, sobrecarga de informações e as limitações técnicas de equipamentos acessíveis. Sobre como maximizar as oportunidades e mitigar os riscos, Sheila Wilson defende a necessidade de alfabetização digital e a segurança cibernética. “Promover o entendimento crítico sobre o uso seguro da internet é fundamental”, disse.
O desafio da regulação dos media na era digital

O último painel do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, realizado virtualmente, nesta quinta-feira, 5 de dezembro, discutiu questões de regulação, ética e formação profissional na era digital. Nas discussões, feitas virtualmente, ficou patente o quão desafiante é a regulação do sector dos media, na era da digitalização. Tomás Vieira Mário, um decano do jornalismo moçambicano e director executivo do Sekelekani, iniciou a sua intervenção clarificando o conceito de regulação na comunicação social, definindo-a como “um conjunto de regras que se estabelecem para que, num certo sector, se desenvolvam actividades dentro de um quadro previsível, legal e ético”. No caso da comunicação social, destacou, os valores fundamentais que regem a actividade – como as Liberdades de Expressão e de Imprensa, o Direito à Informação, respeito à privacidade e à presunção de inocência – são os mesmos em qualquer media. Por isso, entende Tomás Vieira Mário, “não se pode esperar que haja uma lei digital, porque o que está em causa são os mesmos valores, quer seja em imprensa escrita, na rádio, televisão, ou nos media digitais”. Para o decano, há, sim, necessidade de ajustar a legislação para abranger adequadamente o meio digital, mas não para a criação de normas exclusivamente digitais, tanto é que a Lei das Transações Electrónicas já incorpora elementos sobre as redes sociais digitais e outras plataformas no ambiente digital.No entanto, a fonte defende uma distinção clara entre redes sociais digitais e veículos de comunicação digital, considerando que a produção de conteúdos, em plataformas virtuais, quando realizada por jornalistas, exige regras claras que assegurem o respeito ao público e aos profissionais. Na sua intervenção, o jornalista também abordou a distinção entre meios de comunicação social e órgãos institucionais ou empresariais, apontando que os últimos têm fins particulares, de divulgar os seus próprios princípios e actividades.Para esses casos, Vieira Mário entende que a Liberdade de Expressão deve ser respeitada, mas sem confundir estas iniciativas com o jornalismo praticado por profissionais e órgãos convencionais. No geral, o director executivo do Sekelekani entende que a adaptação das leis deve ser conduzida com equilíbrio, preservando os valores éticos e legais que norteiam a comunicação social e garantindo que tanto a Liberdade de Expressão quanto os direitos individuais, sejam protegidos.Por sua vez, o presidente do Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS), Rogério Sitoe, defendeu que a regulação é fundamental para garantir a protecção do interesse público. Para Sitoe, a falta de normas específicas para os meios digitais cria um “vazio” que coloca tanto jornalistas quanto consumidores de informações em risco.“Regular não é limitar ou censurar. É estabelecer limites éticos e deontológicos que orientem o exercício do jornalismo, seja na televisão, na rádio, na imprensa escrita ou nos meios digitais. Esses limites são essenciais para proteger os direitos dos cidadãos e a integridade das informações”, argumentou. Sitoe distingue media digitais – como jornais online e podcasts – e redes sociais digitais, que, segundo ele, demandam debates regulatórios distintos. “Enquanto os media digitais são parte do ecossistema jornalístico, as redes sociais são plataformas de expressão individual, onde qualquer cidadão pode publicar conteúdos. Confundir os dois só dificulta a criação de normas eficazes”, alertou.Sitoe também destacou que a pressão das redes sociais da Internet sobre os meios de comunicação tradicionais tem levado a um relaxamento das normas éticas e deontológicas da profissão. “Os meios tradicionais precisam reforçar sua credibilidade e adaptar-se ao digital, mas sem tentar competir, directamente, com as redes sociais. O rigor ético deve ser a base do jornalismo, independentemente do meio”, enfatizou.Por seu turno, o director Nacional de Informação e Comunicação no Gabinete de Informação (Gabinfo), Mendes Mutenda, iniciou a sua discussão abordando o papel da sua instituição na regulação do sector dos media. De acordo com Mendes Mutenda, habitualmente, o Gabinfo é confundido como regulador, enquanto, na verdade, não exerce essa função. “O gabinete de informação é uma instituição que, na componente dos media, só tem o papel de registar os meios de comunicação social, a televisão, a rádio e a imprensa escrita”.De acordo com a fonte, um regulador, no bom sentido do termo, é muito mais do que registar. O regulador, avançou, é que pode delimitar balizas, isto é, regular a actividade, que não é o caso das atribuições do Gabinfo. De qualquer das formas, entende a fonte, a regulação requer estabelecer diretrizes que não comprometam a Liberdade de Expressão nem resultem em censura, apontando a necessidade de um debate mais profundo sobre o que se deseja regular no sector.“A questão de um regulador em si é complicada. Precisamos estabelecer uma base sólida para definir os termos da regulação, e o que nós efectivamente queremos regulamentar, para não cairmos no caminho de silenciar pessoas que, dentro da sua liberdade, querem expressar as suas opiniões”, disse.Refira-se que o painel sobre “A regulação dos media e a formação profissional em contexto de digitalização” foi o último de uma série de quatro sessões que marcaram, esta semana, na primeira edição do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, uma iniciativa do MISA Moçambique que se pretende que seja anual.
“A digitalização não pode ser evitada, não existe alternativa para ela”- professora Carla Baptista

Esta foi uma das principais afirmações do Primeiro Painel do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, que teve lugar esta segunda-feira, 02 de Dezembro, em Maputo. Subordinado ao tema “os desafios dos media no contexto da Digitalização: dos desafios globais às experiências de regulação, em Moçambique”, o painel contou com a participação de oradores nacionais e internacionais. Entre eles, Carla Filipe Baptista, professora de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa, Portugal, que abriu as apresentações com uma análise das oportunidades e desafios trazidos pela digitalização. Para a pesquisadora, num mundo em permanentes transformações tecnológicas, como o que vice a humanidade, actualmente, a digitalização é inevitável. No seu entendimento, não há alternativa, à digitalização, que não seja a própria digitalização. De acordo com Carla Baptista, a “digitalização transforma ambientes, multiplica as escolhas e tem um grande potencial para estimular soluções inovadoras”. Contudo, anotou a oradora, é importante ter em mente que o ambiente digital não é apenas positivo. Pelo contrário, há aspectos negativos que exigem atenção. A título de exemplo, disse que a digitalização não irá resolver o que chamou de “desigualdades estruturais”, tais como a fragilidade das democracias e as disparidades sociais. Pelo contrário, indicou, o digital tende a agravar esses problemas. “Este é o primeiro alerta que eu queria deixar, porque é uma coisa que deve nos preocupar”, advertiu. “Quem quiser avançar no mercado digital precisa ter consciência disso e definir suas prioridades de forma estratégica”, acrescentou. A professora também sublinhou a necessidade de se garantir a igualdade de acesso ao digital, apontando que a inclusão é um factor essencial para que todos possam participar, plenamente, das oportunidades oferecidas por essa transformação tecnológica. Por sua vez, o jornalista e gestor de media, Simão Anguilaze, concentrou a sua apresentação nos desafios de regulamentação enfrentados pelos meios de comunicação social, em Moçambique, com enfase no contexto da digitalização. Com efeito, criticou a lentidão na aprovação de leis que regulamentem o sector. Tomou como exemplo as Leis de Comunicação Social e de Radiodifusão, afirmando que “quando estas leis forem finalmente aprovadas, já estarão desatualizadas, pois não irão incorporar muitos dos elementos que estamos a discutir hoje”. Por isso, entende Anguilaze, “precisamos reforçar a capacidade institucional das entidades responsáveis para que possamos avançar de maneira eficaz”. Para o orador, é preciso sair das discussões para acções concretas. Por sua vez, o director do MISA Regional, Tabani Moyo, abordou questões práticas relativas à produção de conteúdo na era digital. Na sua intervenção, Moyo destacou as imensas oportunidades para criatividade, advocacia e crescimento económico, que a digitalização traz, mas alertou para os riscos, como desinformação, cibersegurança e desigualdades no acesso à tecnologia. “A produção de conteúdo, na era digital, oferece imensas oportunidades, mas exige mitigação activa de riscos. É necessário promover práticas éticas, inclusão e investimentos em alfabetização digital. Para construir um ecossistema digital robusto, é preciso uma abordagem multissetorial que envolva formuladores de políticas, líderes da indústria, sociedade civil e criadores de conteúdo”, indicou. Refira-se que este foi o primeiro dos quatro painéis de discussão agendados para esta primeira edição do Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento. A segunda sessão teve lugar esta terça-feira, 03 de Dezembro. A terceira e quarta vão decorrer, respectivamente, na quarta e quinta-feira, de forma virtual, podendo, os interessados, participar através dos seguintes endereços:4 de Dezembro (Tema: as práticas e produção de conteúdos digitais: ameaças, riscos e oportunidadeshttps://us02web.zoom.us/j/81977967772?pwd=PopBGVc5I4gtmXr7npIjGQ6HvxC4Bh.1); e 5 de Dezembro (Tema: a regulação dos media e a formação profissional em contexto da digitalização https://us02web.zoom.us/j/81863893823?pwd=WGFyba8ELiBvXZkcPbjZzb5BDIU7Ko.1 Senha de acesso: 651802).
Sustentabilidade na era digital: empresas de media precisam se reinventar

A sustentabilidade dos media, na era da digitalização, é um dos grandes desafios da actualidade. Por isso, o Fórum dos Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento, organizado pelo MISA Moçambique, não podia passar à margem deste que é um dos temas da actualidade. No segundo painel do Fórum, que teve lugar esta terça-feira, gestores de empresas de media discutiram sobre o modelo de negócios no sector, apontando caminhos para a autossuficiência das empresas de comunicação social na era da digitalização. O painel desta terça-feira, subordinado ao tema “sustentabilidade dos media na era da digitalização”, começou com a intervenção de um especialista zimbabwiano na gestão de media digital, o jornalista Lesley Moyo. Para o orador, as organizações de media precisam se adaptar para seguir a audiência, que está cada vez mais no espaço online. A readaptação, disse, não deve ser apenas no formato, mas, também, no conteúdo. “Não basta replicar as histórias do jornal no digital. É necessário criar experiências que atraiam o público moderno”, disse Lesley Moyo, dando exemplo da necessidade da produção e divulgação de notícias em tempo real como forma de engajar as audiências. Para Moyo, a falta de adaptação rápida, por parte de algumas empresas de media, impede o acesso a receitas geradas no espaço online, tendo ressaltado a importância da publicidade digital e do aproveitamento de ferramentas analíticas para entender melhor o comportamento do público. “Os influenciadores, com milhares de seguidores, estão absorvendo parte significativa das receitas publicitárias. As organizações de media precisam se reinventar e investir em estratégias para ampliar seu alcance e atractividade”, afirmou. Por sua vez, o director editorial da Mediacoop, Fernando Gonçalves, destacou como as transformações tecnológicas podem ser oportunidades para reduzir custos operacionais e permitir que jornalistas foquem na criação de conteúdos de alta qualidade. Para Gonçalves, a adopção do modelo multimedia é uma alternativa viável para a sustentabilidade dos media na era da digitalização. Trata-se de um modelo que combina texto, áudio e visual, permitindo que os anunciantes, por exemplo, diversifiquem suas campanhas e, assim, contribuam para a viabilidade económica das redacções. Contudo, a fonte alertou sobre a resistência das empresas de media à mudança. Depois das discussões, os participantes foram unanimes na ideia de que, para garantir sua sustentabilidade, os meios de comunicação precisam adoptar novas estratégias, como a diversificação de receitas, investimento em tecnologia e capacitação contínua de jornalistas. A inteligência artificial, por exemplo, foi apontada como uma aliada que pode reduzir custos operacionais e permitir que os jornalistas foquem na produção de conteúdos de qualidade.
Fórum de Media discute sustentabilidade dos media na era da digitalização

É a primeira iniciativa de género, em Moçambique. Chama-se Fórum de Media, Direitos Humanos, Cidadania e Desenvolvimento. Iniciativa do MISA Moçambique e parceiros, o Fórum tem, entre outros objectivos, a intenção de juntar o sector de media e outros actores da sociedade para discutir a área, com destaque para as componentes de gestão e produção de conteúdos. Na sua primeira edição, que arrancou esta segunda-feira, 02 de Dezembro, o evento, abreviadamente designado Fórum de Media, está dedicado aos “desafios de sustentabilidade dos media na era da digitalização”. A cerimónia de abertura da primeira de edição do Fórum de Media foi dirigida pelo vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alisson, e contou com a presença dos embaixadores da Noruega, Haakon Gram-Johannessen, e da França, Yann Pradeau, além de mais de 60 outros participantes, entre profissionais e gestores de media, reguladores, activistas, académicos e estudantes, que não quiseram perder o histórico lançamento deste evento que se pretende anual. Falando na abertura do evento, o presidente do MISA Moçambique, Jeremias Langa, enfatizou que a transformação digital está a mudar as dinâmicas da comunicação social de forma profunda e constante, o que obriga o sector a repensar as estratégias de sustentabilidade, adaptar modelos de negócio e, sobretudo, proteger os valores fundamentais que definem o jornalismo: a verdade, a independência, a Liberdade de Expressão e o Direito à Informação. Para Jeremias Langa, da mesma forma que tem gerado oportunidades, a transformação digital também impõe desafios para os meios de comunicação, destacando o Fórum de Media como uma plataforma para reflectir sobre a sustentabilidade do jornalismo e sua relevância no mundo contemporâneo. “Hoje, mais do que nunca, os media, enquanto pilar da democracia, têm vindo a enfrentar desafios que vão desde o aumento da desinformação, a pirataria digital, as mudanças do ecossistema de produção e recepção, gerando novas lógicas de mercado que alteram, profundamente, os modelos anteriores de negócio dos media. Este Fórum é, por isso, uma oportunidade única para reflectirmos sobre estas questões e propormos caminhos para uma indústria dos media sustentável e capaz de responder, adequadamente, a estes desafios”, assinalou o presidente do MISA. Quem também congratulou a iniciativa da organização de um Fórum de Media, ainda mais sobre questões de digitalização, conforme o Fórum deste ano, foi o vice-ministro dos Transportes e Comunicações, Amilton Alisson. No seu discurso de abertura, o dirigente chamou atenção para a necessidade de regular o sector digital de forma equilibrada, garantindo a Liberdade de Imprensa e combatendo a desinformação. “O jornalismo deve continuar a ser uma referência de rigor e profissionalismo, especialmente num ambiente onde as chamadas notícias falsas podem, facilmente, manipular a opinião pública e comprometer a coesão social”, disse. Ainda na sua intervenção, o vice-ministro dos Transportes e Comunicações referiu-se à inclusão digital como um dos principais desafios do país, onde apenas 20% da população tem acesso à internet. “A digitalização é uma força disruptiva que transformou os meios de comunicação, mas também expôs desigualdades que precisamos abordar urgentemente. O nosso objectivo é garantir que todos os moçambicanos possam beneficiar das oportunidades da economia digital, sem deixar ninguém para trás”, garantiu Alisson. Seguir ética e profissionalismo Gram-Johannessen, também reconheceu o contributo da digitalização para o desenvolvimento social e económico das sociedades. No entanto, apontou desafios que incluem a produção, em massa, de informações sem seguir regras profissionais e éticas, como sempre fez o jornalismo tradicional. Neste sentido, o embaixador alertou para os perigos das chamadas “notícias falsas”, que se disseminam, rapidamente, e prejudicam a sociedade. “As fake news têm a particularidade de se espalhar, muito rapidamente, causando danos à sociedade, à segurança do Estado e violando os direitos fundamentais dos cidadãos. Temos todos a responsabilidade acrescida de diminuir ou mesmo eliminar os impactos das fake news no nosso seio”, afirmou o diplomata, destacando a relevância de uma imprensa livre para a democracia. Por seu turno, o embaixador da França, Yann Pradeau, também chamou atenção para os desafios impostos pela digitalização, como a propagação de informações não verificadas nas redes sociais digitais. Para o embaixador francês, a digitalização dos meios de comunicação e o uso das redes sociais da internet permitiram um acesso imediato a uma grande quantidade de informações. “É facto que esta acessibilidade reforçou, inegavelmente, a Liberdade de Expressão e de circulação da informação. Entretanto, a mesma também coloca em causa a fiabilidade e a protecção dos dados pessoais. As redes sociais tornaram-se, por vezes, canais onde a informação se propaga sem filtro nem verificação”, disse.
