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sexta-feira, 06 outubro 2023 14:41

Imagem de crianças sentadas no chão de uma sala de aulas inundada não é de Moçambique

manipulado

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A ALEGAÇÃO

Está a circular, nos últimos dias, nas redes sociais digitais, uma fotografia que mostra crianças em idade escolar, sentadas em blocos perfilados sobre um chão alagado, numa sala de aulas de construção precária. Actualmente a viralizar no WhatsApp, a imagem em causa está a ser associada à falta de condições de ensino e aprendizagem, em Moçambique. Estando em curso a campanha eleitoral para as eleições autárquicas 2023, a imagem está a ser usada como um convite para um voto contra a falta de condições no Sistema Nacional de Educação (SNE). Com efeito, numa das descrições à imagem, pode se ler o seguinte: “Eles (Nota do Editor: em referência às crianças sentadas ao chão) não têm idade para votar, por favor vote por elesʼʼ. 

Aliás, já antes das eleições, a mesma imagem havia sido publicada, no dia 29 de Maio de 2022, no Facebook, com a referência “A educação em Moçambique”, seguida por comentários como “é triste este cenário onde está o nosso governo da Frelimo. Só querem nossos votos”; “a Frelimo é que fez, a Frelimo é que faz”; “por favor, socorro para essas crianças. Onde está o nosso governo? A Frelimo é que faz quando quer voto, mas depois deixa tudo, sem fazer nada. Pelo menos olhem para o sofrimento desses inocentes, Meu Deus”; ou “enquanto isso, a nossa madeira sai à porta pequena para o mundo lá fora...”, conforme publicação disponível, pelo menos até à tarde do dia 6 de Outubro de 2023, aqui.

OS FACTOS

Embora a falta de condições no SNE seja real, em Moçambique, onde alunos continuam a estudar em situações deploráveis, sentadas no chão e ao relento, incluindo por baixo de árvores, a imagem em causa não é de Moçambique. Na verdade, ela foi tirada no Quénia e retrata uma enchente numa escola da cidade de Kilifi, em Maio de 2019. Portanto, a actual publicação desta imagem está descontextualizada. Aliás, não é a primeira que ela está a ser publicada de forma deturpada. Já em 2019, havia sido associada, nas redes sociais digitais, à Nigéria, o que foi, na altura, rebatido por várias agências de verificação de factos, como a AFP.