A ALEGAÇÃO
Tal como a sua mandatária financeira, Glória Nobre, o ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, também foi dado como morto pelas redes sociais da Internet. A informação sobre a alegada morte de Venâncio Mondlane também foi divulgada no dia 1 de Abril, por um site que alegou que o ex-candidato presidencial morreu num acidente aéreo, enquanto pilotava um Tupolev Tu-134. Segundo a alegação, o acidente ocorreu na fronteira entre Moçambique e África do Sul, próximo à Cidade do Cabo, como se pode ler aqui.
OS FACTOS
Porém, esta informação é completamente falsa. Um dia após a alegada morte, Venâncio Mondlane fez uma aparição pública, no dia 2 de Abril, divulgando imagens de um encontro com o ex-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, como pode ser visto aqui. Além de a página oficial do político não mencionar tal ocorrência, nenhum órgão de comunicação social oficial reportou tal acontecimento, o que, na eventualidade de a informação ser verdadeira, seria simplesmente impossível, ainda mais por Venâncio Mondlane ser uma figura de destaque no panorama político nacional. Pelo contrário, a informação foi divulgada por um site de credibilidade duvidosa. Aliás, no referido site, as opções de compartilhamento e comentários redireccionam os usuários para sites de apostas online, uma característica comum de plataformas fraudulentas que procuram enganar internautas e atrair tráfego.
Mais ainda, a imagem utilizada como a prova do suposto acidente não é da África do Sul. Pelo contrário, é referente a um acidente aéreo ocorrido em Dezembro de 2024, perto do aeroporto de Aktau, no Cazaquistão, como se pode ver aqui e aqui.
Como se não bastasse, a referência de que o suposto acidente ocorreu na fronteira entre Moçambique e África do Sul, próximo à Cidade do Cabo, também está errada. A Cidade do Cabo não está na fronteira com Moçambique. Pelo contrário, é uma cidade portuária situada na costa sudoeste da África do Sul (extremo oposto de Moçambique), ficando a aproximadamente dois mil quilómetros de Maputo (comparativamente, é uma distância próxima a de Maputo a Nampula, no Norte de Moçambique).
A desinformação sobre a morte de Venâncio Mondlane pode ser parte da escalada de casos de género observada por ocasião do dia 1 de Abril, conhecido como Dia da Mentira. Aliás, tal como o MisaCheck indicou, esta quinta-feira, por ocasião desta data, circularam vários casos de desinformação sobre a morte de figuras públicas moçambicanas, incluindo Glória Nobre, mandatária financeira de Venâncio Mondlane, como se pode verificar aqui.
A ALEGAÇÃO
Na quarta-feira, 2 de Abril, um site supostamente de notícias chamado Povomz publicou uma informação alegando que Glória Nobre, mandatária financeira do ex-candidato presidencial, Venâncio Mondlane, teria perdido a vida enquanto estava detida, alegadamente por desvio de fundos do Estado para financiar a campanha do concorrente que era suportado pelo partido Podemos. A alegação vem acompanhada de uma imagem supostamente retirada de um noticiário televisivo, com o GC (gerador de caracteres) indicando que ‘‘Glória Nobre detida em Maputo: Financeira e mandatária de Venâncio Mondlane acusada pelas autoridades de financiamento ao terrorismo’’.
OS FACTOS
Entretanto, esta informação é completamente falsa. Glória Nobre está viva e continua detida, na cidade de Maputo, desde o dia 12 de Março. O MisaCheck entrou em contacto com o Gabinete de Comunicação e Imagem de Venâncio Mondlane, tendo o assessor de imprensa do antigo candidato presidencial negado categoricamente as alegações sobre a morte da Glória Nobre.
De acordo com Abdul Nariz, assessor de imprensa, ‘‘esta informação não constitui a verdade. Ela (da Glória Nobre) encontra-se viva. É verdade que ela tem problemas de hipertensão e, de vez em quando, sofre crises, mas está viva’’. A fonte acredita que esta alegação tenha surgido devido ao 1º de Abril, Dia da Mentira, data frequentemente associada à propagação de desinformação e boatos. Aliás, o MisaCheck identificou outros casos de desinformação que circularam na mesma data, incluindo alegações infundadas sobre a morte de figuras públicas moçambicanas, como se pode verificar aqui e aqui.
A disseminação de informações falsas, independentemente da sua natureza, pode gerar pânico e levar aos caos e até tragédias. Por isso, o MisaCheck reforça a necessidade de um compromisso colectivo no combate à desinformação, porquanto a sua propagação representa uma ameaça à democracia e à estabilidade social. Assim, todos os cidadãos são chamados a verificarem a autenticidade das informações antes de compartilhá-las. O combate à desinformação é, pois, uma responsabilidade de todos nós!